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Round Trips

Round Trips: Capítulo 18 – Bariloche para Brasileiros

Por: liketour | 01/03/2021

2021 continuamos com excelentes conteúdos no liketour. Além, do já conhecido liketour cast, teremos novos conteúdos, com mais dicas e histórias de viagens para você.  Uma delas é a série de entrevistas no formato escrito, batizada de Round Trips*, onde conversamos com pessoas criadoras de sites, empresário e escritores de livros sobre turismo.

Sabrina nasceu em Belo Horizonte e foi criada em terras cariocas. Casada e morando em Bariloche há mais de 10 anos, se formou como guia de turismo regional da Patagônia em Bariloche. Em fevereiro de 2014, começou a escrever o blog sobre Bariloche com a intenção de orientar os brasileiros que desejam visitar está maravilhosa cidade da Patagônia.

Desde outubro de 2017, conta com o apoio do irmão Alejandro, ajudando a compartilhar as novidades de Bariloche conosco.

 

 

LT: Quando pensamos na Argentina nossa maior referência é Buenos Aires, ouvimos falar pouco de outras cidades do interior, então, nos conte como vocês “descobriram” Bariloche e se estabeleceram na cidade?

Sabrina: Eu descobri casando com um argentino de Bariloche! Risos. Já trabalhava com turismo, mas foi o amor que me fez ir morar em Bariloche. E aí me apaixonei duplamente, pelo meu marido e pela cidade.

Alejandro: Eu descobri indo visitar a minha irmã. E também me apaixonei, mas dessa vez só pela cidade e não pelo meu cunhado, embora eu goste muito dele! Risos.

 

Bariloche ao anoitecer

 

LTA Argentina é um país grande com muita diversidade natural com montanhas, praias, cidades urbanas. Há muita variedade também entre a população argentina? Como é essa diferença entre o habitante da capital e do interior?

Alejandro: Há muita diferença e diversidade. A visão do argentino que muitos brasileiros têm é a de um estereótipo do portenho, ou seja, de quem é de Buenos Aires. Isso seria o equivalente de achar que o estereótipo do carioca é a representação do brasileiro. O barilochense, por exemplo, é bem diferente do portenho de Buenos Aires.

LT: Existe a expressão “Brasiloche” devido ao grande número de turistas brasileiros que vão à cidade. Essa expressão faz sentido? Como é o convívio dos brasileiros com os locais?

Sabrina: A expressão faz sentido, porque Bariloche é uma cidade amiga do brasileiro. Já está acostumada e preparada para receber a gente. O brasileiro ainda é muito focado no inverno e na neve e conhece pouco as outras estações em Bariloche, que tem seus encantos particulares. Para se ter uma noção da importância do brasileiro para o turismo em Bariloche, o curso superior de guia de turismo, no qual me formei, tem o português como língua obrigatória.

 

Turistas admiram a beleza natural de Bariloche

 

LT: Vocês como brasileiros morando na Argentina, como vê a rivalidade entre os países? Isso existe mesmo ou se resume ao futebol?

Alejandro: Em geral, se resume ao futebol e brasileiros e argentinos sempre se dão super bem. Mas, claro, sempre tem alguns perturbados que podem levar isso para um lado negativo. Mas é minoria. A última copa do mundo aconteceu em plena alta temporada de inverno, ou seja, cheio de brasileiros em Bariloche. Os brasileiros lotavam os bares e pubs para ver jogos do Brasil e tudo corria de forma descontraída e com muito bom humor.

LT: Bariloche é um dos lugares mais próximos ao Brasil que se pode ver neve e praticar ski, por exemplo, atividades que se encontram em poucos lugares. O clima frio é a principal atração da região?

Sabrina: O inverno em Bariloche é uma das atrações. É a estação mais conhecida e principal atração para os brasileiros. Tem a maior estação de ski da América Latina, o Cerro Catedral, que leva dias para conhecer toda. Ski, snowboard, skibunda e inúmeras formas de se divertir na neve. Quadrículos, snowmobiles, caminhadas, navegações de lago, cavalgadas, passeios contemplativos por paisagens paradisíacas.

Só que Bariloche é um destino com 4 estações muito bem definidas. Faz toda diferença se você viaja na primavera, no verão, no outono ou no inverno. Cada estação com seus encantos.

 

Cerro Catedral

 

LT: A região de Bariloche é muito procurada no inverno, mas quais as atividades a cidade oferece aos turistas em outras estações do ano?

Alejandro: Como a Sabrina disse, Bariloche tem 4 estações bem definidas e cada uma com seus encantos. Em nosso blog temos um guia específico e super completo para cada estação. O brasileiro precisa mesmo descobrir as outras 3 estações fora o inverno. O verão, nos meses de janeiro e fevereiro, é uma outra alta temporada que os brasileiros pouco conhecem. O outono é belíssimo e a estação preferida de muitos barilochenses. A primavera com suas flores, cores e o degelo alimentando e formando rios, cachoeiras, lagos é de uma beleza única. Os brasileiros que descobrem Bariloche além do inverno, ficam sempre encantados.

Vale lembrar que Bariloche fica dentro da Patagônia, que é um dos lugares mais lindos do mundo. E fica num ponto muito privilegiado da Patagônia argentina, onde há uma diversidade de paisagens única, com a Cordilheira dos Andes, bosque andinos, lagos glaciais e a estepe patagônica em seu trecho mais belo e diversificado.

Bariloche é também a Capital Nacional do Turismo de Aventura e a Capital Nacional do Chocolate. As atividades que se pode fazer na cidade são inúmeras, de rafting, stand up paddle em lagos magníficos, trekking, cavalgadas e passeios contemplativos pela região e cidades nos arredores.

Viajar para Bariloche é viajar para um destino onde as possibilidades de paisagens e atrações são muito variadas e que ainda mudam ao longo do ano. Bariloche é um destino para conhecer e voltar várias vezes. Impossível conhecer e entender em uma única viagem.

 

Centro Cívico em Bariloche

 

LT: Para o turista que sai do Brasil, como ele chega a Bariloche e quanto tempo vocês recomendam permanecer na cidade?

Alejandro: A forma mais comum de chegar a Bariloche é de avião com escala ou conexão em Buenos Aires. Mas existem voos diretos também. Algumas pessoas ainda optam por viajar para Buenos Aires e de lá reservar um voo em companhias low cost. Outros vão para cidades no Chile como Puerto Montt, bem próxima e de lá fazem o Cruce Andino de barco ou pegam um ônibus até Bariloche, que fica bem perto.

Outra opção mais demorada e que pode ser interessante para muitos é pegar um ônibus em Buenos Aires para Bariloche. Os ônibus são excelentes, com serviço de bordo incrível. Já encarei essa viagem por mais de 20h e adorei. É bem tranquilo, a paisagem é linda, diferente e a comida à bordo era muito boa, com lanche, jantar, café da manhã, vinho, uísque, café, chá, água etc.

As companhias que costumam viajar para Bariloche são as Aerolíneas Argentinas, GOL, Azul, Latam (só com voos diretos agora). Entre as low costs tinham algumas como Flybondi, JetSmart, Norwegian… Temos que ver como vai ficar após a pandemia. Bariloche era um destino que vinha crescendo demais nos últimos anos, com cada vez mais voos, voos diretos regulares e turismo de brasileiros crescendo ano após ano.

Bariloche é uma cidade pequena, com pouco mais de 150 mil habitantes, menor que Maranguape no Ceará, mas com uma estrutura turística em serviços, hotelaria, gastronomia, atrações e experiências como poucas cidades turísticas do seu tamanho.

 

Turista tira foto em frente ao letreiro de Bariloche

 

LT: Além de Bariloche em si, quais outras cidades o turista pode visitar na região, seja de bate-volta ou até passar uma noite?

Alejandro: Bariloche como destino é uma excelente base de operações. Quero dizer, hospedado em Bariloche, você consegue em passeios de meio dia ou dia completo, indo e voltando ao seu hotel, fazer inúmeras atrações e conhecer diversos lugares numa área de cobertura que inclui 3 províncias, Rio Negro, Nequén, Chubut, e algumas cidades e vilas: Bariloche, Villa La Angostura, San Martín de los Andes, El Bolsón, Lago Puelo, Villa Traful, Dina Huapi… Além de estar colado na fronteira com o Chile. Você pode ir para o alto de uma montanha nevada, para o meio de um lago ou para a desértica estepe patagônica. Tudo isso dormindo no mesmo hotel em Bariloche todos os dias.

Lago Nahuel Huapi

 

LT: A Argentina é conhecida pela boa carne e bons vinhos. Como é a culinária em Bariloche? Tem um prato típico da cidade?

Alejandro: A culinária em Bariloche é um dos principais atrativos. Chocolatarias incríveis, sorveterias, cervejarias artesanais, pubs, restaurantes tradicionais, internacionais, contemporâneos, alta gastronomia… Até o fast food é muito interessante. A culinária regional inclui as melhores carnes, o cordeiro patagônico, trutas, cogumelos, muitas frutas vermelhas e influências de imigrantes alemães, suíços, bem como de nativos, como os mapuches, como seria o tradicional curanto, um cozido muito curioso feito com pedras quentes e ervas aromáticas debaixo da terra!

LT: Morando em Bariloche há tantos anos qual lugar vocês mais gostam de ir, não como guias, mas como habitante do cidade? Um lugar que para você representa bem o que é Bariloche.

Alejandro: Eu adoro ir à beira do lago no centro, ao fim da tarde, e passear pela orla.

Sabrina: Ah, eu também!

 

 

 

 

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