Round Trips

Round Trips: Capítulo 13 – Portugal com Graça

Por: liketour | 06/05/2020

2020 continuamos com excelentes conteúdos no liketour. Além, do já conhecido liketour cast, teremos novos conteúdos, com mais dicas e histórias de viagens para você.  Uma delas é a série de entrevistas no formato escrito, batizada de Round Trips*, onde conversamos com pessoas criadoras de sites, empresário e escritores de livros sobre turismo.

Lília Portugal é brasileira com muito orgulho e fruto da alegria contagiante típica da Bahia. Soteropolitana de alma e coração. Advogada por vocação. Apaixonada por Portugal e seus encantos criou o site Portugal com Graça. 

 

Lilia Portugal

 

LT: Você carrega Portugal no próprio nome, nos conte como era sua relação com o país antes de mudar para Lisboa?

Lília: É verdade. Meu sobrenome é Portugal. Eu costumo brincar que o meu destino era morar aqui e até mesmo os funcionários da imigração no aeroporto de Lisboa já fizeram brincadeiras neste sentido. Na realidade, a minha relação com Portugal começou mesmo em 2010, quando decidi fazer um semestre do meu curso de graduação na Faculdade de Direito de Lisboa. A partir daí, foram diversas idas e vindas até a decisão final pela mudança de país.

LT: Como soteropolitana quais as principais semelhanças e diferenças que existem entre Salvador e Lisboa, e se essas semelhanças te ajudaram a se adaptar a Portugal?

Lília: Lisboa e Salvador têm muitas semelhanças, principalmente na arquitetura dos respectivos centro históricos. Caminhar pela baixa, pelo chiado e pelo bairro alto, por exemplo, me faz recordar o pelourinho. Aqui pontuo, tanto a arquitetura em si dos prédios, como também as cores e a forma de distribuição dos edifícios e das ruas. Ambas as cidades possuem becos e ruelas irregulares.

Outra semelhança é a quantidade de ladeira. Lisboa é conhecida como a cidade das 7 colinas e não é por acaso. Posso dizer que Salvador também não fica atrás neste quesito. 

Além disso, em Salvador, também encontramos traços portugueses na construção como os famosos azulejos e o mármore. 

Outro ponto similar são as festas juninas. Cresci adorando o mês de junho, as festas juninas e as decorações com bandeirolas. Foi muito acolhedor encontrar as raízes dos nossos festejos aqui em Portugal, muito embora com nuances um pouquinho diferentes. Apesar de encontrarmos a cidade toda enfeitada durante o mês de junho, em termos de comida típica da época há uma diferença considerável. Por exemplo, neste período, em Salvador, costumamos comer canjica, milho assado, bolo de milho, bolo de aipim, entre outros. Aqui em Lisboa o prato típico é sardinha assada. 

Relativamente às diferenças também são muitas, mas acredito que o que mais chama a atenção é a qualidade de vida, uma vez que Portugal consegue assegurar o acesso aos bens essenciais de uma forma mais abrangente do que o Brasil, e também a segurança. Embora Lisboa seja a cidade mais “perigosa” de Portugal, a verdade é que nada se compara com a insegurança vivida em Salvador. Além disso, durante os últimos anos, o governo português focou bastante no crescimento do país e buscou atrair o investimento estrangeiro como forma de se reeguer economicamente. Com isso, hoje o centro histórico de Lisboa é composto por prédios que mantém a arquitetura antiga, no entanto estão renovados, o que atraiu mais vida para a cidade.

 

Cidades Gêmeas: Lisboa e Salvador possuem muitas semelhanças na arquitetura

LT: Nos conte um pouco sobre sua carreira na área da advocacia. Em qual área do direito você atuava no Brasil e como é para alguém formado em direito trabalhar em Portugal?

Lília: Sobre a minha carreira, fiz o curso de Direito no Brasil e a minha inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil logo em seguida. No entanto, posso dizer que praticamente não atuei no Brasil, uma vez que mal terminei a faculdade emendei o mestrado em Portugal. Embora tenha tido experiências práticas na resolução de certos obstáculos que fui encontrando durante as minhas idas e vindas, somente comecei a atuar como advogada em Portugal em 2016 com a minha inscrição na Ordem dos Advogados de Portugal. Diferentemente da grande maioria das Ordens Profissionais, a OA portuguesa não exige a prévia validação de diploma para a inscrição de advogado brasileiro ou português que esteja devidamente inscrito na OAB, não tenha sofrido penalidades e esteja quite com a tesouraria. Logo, o procedimento é mais simples, embora bastante burocrático. 

Para alguém formado em Direito no Brasil trabalhar em Portugal, é preciso que, além da inscrição na OA portuguesa, o advogado brasileiro tenha um título de residência que permita o exercício de atividade profissional. Em termos de colocação profissional, no meu caso, o início foi bastante complicado, mas com esforço e dedicação tudo é possível. A minha dica é: paciência, esforço e foca no inglês. Saber a língua inglesa é realmente fundamental para trabalhar em Portugal. 

Hoje em dia, atuo principalmente na área de Direito de Imigração e Direito dos Estrangeiros, muito embora às vezes tenha também contato com questões de direito fiscal, direito societário e direito de família.

LT: No site você também oferece serviços de consultoria e assessoria de viagem. Como foi a ideia de conciliar a atuação profissional no direito e no turismo?

Lília: A consultoria e assessoria de viagem surgiu como consequência da mudança para Portugal. Todos queriam dicas e ficavam impressionados com todos os cantos e encantos deste país. Apesar disso, essa parte é feita conjuntamente com parceiros, profissionais da área do turismo, da gastronomia e dos vitivinícola, os quais escolhi após experimentar e conhecer os serviços prestados.

LT: Como surgiu a ideia de criar o site Portugal com Graça, e as redes sociais que tem um bom número de seguidores?

Lília: Pode ser engraçado ou até mesmo constrangedor, mas o Portugal com graça surgiu por pressão. Sempre fui muito tímida, mas após uma grande pressão de amigos, acabei fazendo a página e hoje agradeço muito a todos que verdadeiramente apertaram a minha mente naquela época. Afinal, o Portugal com graça me traz muitas alegrias, me permite ajudar os outros, me permite divulgar Portugal, me permite conhecer pessoas e ter experiências que eu não teria se não tivesse tido a coragem de abrir a página.

 

Turistas e lisboetas circulam pela Praça do Comércio

 

LT: Portugal tem uma gastronomia muito rica, mas no Brasil ainda conhecemos pouco sobre ela. Quais foram as surpresas que você encontrou na culinária portuguesa que ainda não chegou aqui para nós brasileiros?

Lília: Sou apaixonada pela gastronomia portuguesa e minhas amigas portuguesas costumam dizer que sou mais portuguesa do que elas. Em geral, os brasileiros pensam apenas no pastel de Belém e no bacalhau. Sem dúvidas, é bem pensado, mas existem tantos outros pratos e doces deliciosos por aqui. Eu, por exemplo, adoro o famoso leitão da bairrada, o choco frito, a caldeirada, açorda de mariscos, sopa de tomate, os diversos tipos de queijos e enchidos e por aí vai. Os pães portugueses são incríveis e olhe que eu não comia pão no Brasil. Em relação aos doces, sou apaixonada pelo pastel de feijão, pelo bolo da madeira, pelo pão de rala e pelo morgado de amêndoas. 

 

Leitão da bairrada.

 

Morgado de amêndoas: doces portugueses estão entre os melhores do mundo

 

LT: Além, da culinária, os vinhos portugueses também são reconhecidos no mundo inteiro. Como é de fato a relação dos portugueses com o vinho e como as vinícolas ajudam na indústria do turismo?

Lília: Os portugueses são apaixonados pelo vinho e é muito comum que o português beba ao menos uma taça de vinho durante o almoço. Além disso, o povo português valoriza muito o produto nacional, o que é sensacional. 

As vinícolas são muito procuradas pelos turistas e cada vez mais há uma cultura de enoturismo. As quintas e herdades estão mais organizadas para receber o turista ou o nacional/residente e proporcionar experiências diferentes e agradáveis. É possível apenas fazer visitas; é possível fazer prova de vinhos; é possível incluir petiscos portugueses (até mesmos os queijos e enchidos regionais) ou refeições (geralmente, almoço); a depender da época, dá para participar nas vindimas, colhendo as uvas e fazendo a pisa a pé; algumas vinícolas possuem também alojamentos para os visitantes; outras possuem até mesmo passeio de balão pela região para que o visitante possa desfrutar da vista das videiras. São diversas as experiências que podemos encontrar.

Em relação às sugestões de vinícolas, são tantas que adoro e indico, que exemplificar algumas aqui não parece suficiente. Por isso, para quem queira algumas dicas, sugiro uma visita ao nosso perfil do Instagram @portugalcomgraca que está repleto de sugestões de vinícolas em Portugal e de vinhos portugueses para os mais variados gostos e bolsos.

 

Vinhos portugueses reconhecidos mundialmente.

 

LT: Lisboa é uma cidade com muitas atrações turísticas e históricas, quanto tempo você recomenda para visitar a cidade e quais atrações não podemos deixar de visitar?

Lília: Essa é uma pergunta difícil, pois varia de pessoa para pessoa e do estilo de viagem. Apesar disso, eu diria que para quem pretende conhecer a cidade de uma forma rápida o ideal é ficar uns 4 dias só em Lisboa cidade (não incluindo aqui Cascais, Sintra e demais regiões metropolitanas). No entanto, se o turista pretende realmente sentir a cidade, desfrutar de refeições mais demoradas para experimentar os diversos restaurantes, é preciso ficar mais tempo. Lisboa é uma cidade contagiante com muita vida repleta de cantinhos para visitar.

 

Bondes característicos de Lisboa

 

LT: Portugal é um pais pequeno sendo possível visitar muitas cidades, quais cidades você gosta e indica que é imperdível para o turista?

Lília: Vou ter de escolher algumas, pois se não me engano gosto de todas que já visitei rsrs Vamos lá as cidades/regiões: Lisboa, Sintra, Porto, Cascais, Óbidos, Região do Douro (ainda que seja só na Régua), Serra da Estrela, Évora, Marvão, Serra da Arrábida, Fátima, Nazaré, Lagos, Portimão, Parque Natural da Ria Formosa e Parque Natural do Gerês. 

 

Palácio de Sintra

LT: Recentemente, temos notado que muitos brasileiros estão migrando para Portugal. Do tempo que você mora no país, percebeu o aumento de brasileiros de fato e como os portugueses encaram essa imigração? 

Lília: Sim, é impossível não notar o aumento da quantidade de brasileiros em Portugal. Acredito que os portugueses estão aprendendo a lidar com o crescimento do país como um todo, incluindo aqui o aumento da quantidade de estrangeiros morando em Portugal. Sinto o povo português cada vez mais acolhedor com o estrangeiro, principalmente com o brasileiro.

 

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