Round Trips

Round Trips: Capítulo 6 – Budapeste para Brasileiros

Por: liketour | 12/07/2019

2019 é um ano de novidades para o liketour. Além, do já conhecido liketour cast, teremos novos conteúdos, com mais dicas e histórias de viagens para você.  Uma delas é a série de entrevistas no formato escrito, batizada de Round Trips*, onde conversamos com pessoas criadoras de sites, empresário e escritores de livros sobre turismo.

Budapeste para Brasileiros foi fundada por Kitty Pavone, guia local de Budapeste que viveu no Brasil. Ao longo dos anos o turismo brasileiro foi crescendo e atualmente trabalham vários guias oficiais para a empresa. Todos os guias são húngaros com um nível superior de português. *

Kitti Pavone

LT: Você é húngara e morou no Brasil, conte-nos como foi o período em que esteve aqui no Brasil, por quais razões morou no Brasil e que lugares conheceu do nosso país?

Kitti: Na verdade sou 50% húngara só. Meu pai é italiano e tenho uma tia brasileira. Desde pequena joguei capoeira e na verdade assim que conheci melhor a cultura brasileira. Conheci o meu primeiro namorado através da capoeira e por ele aprendi falar português. Viajei bastante pro Brasil e acabei sempre ficando no Rio de Janeiro. Depois tive o prazer de conhecer o nordeste também. Me apaixonei completamente pelo país. Foi um período muito bom da minha vida.

LT: A Hungria, assim como o Leste Europeu, está assistindo um grande crescimento do turismo e estruturando essa indústria também. Na sua visão a que se deve esse crescimento?

Kitti: Nos últimos 10 anos Hungria está fazendo uma grande propaganda do país e também as redes sociais. Várias agencias começaram vender os pacotes para Leste Europeu. Todo mundo chega aqui sem esperar muita coisa e acaba se apaixonando por essa cidade tão monumental.

LT: No grupo de guias da empresa Budapeste para Brasileiros, são todos húngaros com nível superior em português. Como foi o aprendizado da língua e como foi reunir esse grupo de guias, já que se trata de idiomas tão diferentes um do outro?

Kitti: No início já trabalhei com guias que acompanhava grupos brasileiros/portugueses na Europa. Quase todos eles aprenderam na universidade. Tenho uma colega que aprendeu na capoeira também e outro que viajou para América Latina e acabou gostando do português brasileiro e aprendeu. Foi fácil reunir os guias bons, porque todos nós amamos trabalhar com brasileiros.

Empresa criada por Kitti

LT: No dia 29 de maio desse ano, ocorreu um acidente entre dois barcos turísticos no Rio Danúbio, inclusive com morte de turistas.  Como esse acidente pode impactar no turismo da cidade e no trabalho de vocês? E como é a segurança dos barcos turísticos?

Kitti: Foi um dia muito triste, mas eu não vejo o medo nas pessoas. O passeio de barco é um programa imperdível, porque os nossos monumentos foram construídos nas duas beiras. Então a melhor vista tem desde o barco. Obviamente posso ver os colegas que trabalham com coreanos que estão com menos grupos. A segurança é boa, todos tem colete de salva-vidas, mas em 7 segundos -foi que o barco afundou- não tinha chance nenhum de pega-los.

LT: Budapeste é considerada uma das cidades mais bonitas do mundo, mas quais outras cidades da Hungria você indicada os turistas visitarem também, já que é um país pequeno e se pode conhecer outros lugares em pouco tempo?

Kitti: Geralmente os nossos clientes passam 2-3 dias na capital. Acho que esse tempo precisa para conhecer a cidade bem, mas se alguém fica mais tempo, acho imperdível a pequena cidade pitoresca de Szentendre e Gödöllő com o Palácio da Sissi.

Barco turístico no Rio Danúbio. Uma das melhores maneiras de ver Budapeste.

LT: Comparado a outros países da Europa, a Hungria é considerada uma país mais fechado em relação a entrada de imigrantes e refugiados.  Até que ponto isso é uma realidade? E como esse “fechamento” pode atingir o turismo?

Kitti: Acho que ainda é considerado um país ex-comunista. Nosso país é independente nos últimos 30 anos só. Apesar da política ser anti-refugiado muitos húngaros-principalmente jovens- adoram os turistas/estrangeiros. Temos algumas pessoas mais idosas que não gostam muito dos estrangeiros, mas isso tem devido ao passado. O país não recebe refugiados, mas recebe muitos estrangeiros. Muitos escolhe Budapeste como um destino monumental, econômico, seguro e bem localizado. (Perto de várias capitais europeias).

Cidade de Szentendre 30 kms de Budapeste. Vale a pena a visita.

LT: O Brasil tem muitos descendentes de húngaros, e muitos deles hoje em dia buscam a cidadania húngara e até pretendem morar na Hungria. Como é a presença da comunidade brasileira na Hungria, seja imigrantes ou turistas?

Kitti: Temos muitos brasileiros na cidade. Os brasileiros que moram aqui são super unidos. Sempre fazem festas e comemorações. Muitos chegaram pra estudar -ainda com a Ciências sem fronteiras- ou pra trabalhar e acabaram ficando aqui. Todos eles adoram a segurança do país. A única coisa que nenhum deles gosta é o inverno.

LT: Convivendo com os turistas brasileiros, o que vocês mais aprendem com eles e também qual a maior curiosidade desses turistas em relação a Hungria e Budapeste?

Kitti: Brasileiros nós trazem muita alegria. Aprendemos cada dia sotaques e palavras novas sem dúvida e muitas histórias interessantes. As perguntas mais frequentes: Como podem falar essa idioma tão difícil?  Como são os húngaros?  O que significa Budapeste?

LT: Nossos ouvintes e leitores, sempre tem curiosidade sobre a culinária dos países que abordamos no site.  Quais os pratos típicos de Budapeste, e afinal o strudel é húngaro ou alemão?

Kitti: Ha ha ha. O strudel vem da época do Império Austro-húngaro. Tem lugar que vendem mais de 10 tipos de strudel aqui em Budapeste (doce e salgado). Nós húngaros comemos muita sopa, carne e batata. A sopa mais conhecida é o Gulyás, que tem cubos de carne, batata e cenoura com um molho de páprica. Diria que é uma carne ensopada. Temos o frango acebolado –Csirkepaprikás– que é bem parecido com o stroganoff. Os nossos clientes amam a massinha que acompanha o frango. Vários doces, pão-de-lô recheado com chocolate, com creme cozido, com frutas. É difícil fazer dieta aqui!

LT: Quando você está em Budapeste, não como guia, mas como moradora da cidade, qual lugar você mais gosta de ir? Um lugar que para você representa bem o que é a capital da Hungria.

Kitti: Eu adoro subir na Citadella. É um mirante da onde consegue ver toda cidade. Ficar sentada e ver o movimento da cidade, o pôr-do-sol e as luzes é algo fantástico.

Turistas observam a capital húngara da Citadella.

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*Colaborou com a elaboração das perguntas Fernando Passaia do Canal Hungariando.