Round Trips

Round Trips: Capítulo 11 – Me Leva Londres

Por: liketour | 08/02/2020

2020 continuamos com excelentes conteúdos no liketour. Além, do já conhecido liketour cast, teremos novos conteúdos, com mais dicas e histórias de viagens para você.  Uma delas é a série de entrevistas no formato escrito, batizada de Round Trips*, onde conversamos com pessoas criadoras de sites, empresário e escritores de livros sobre turismo.

Julia Ramil, criadora do Me leva Londres, adora explorar a capital inglesa que tem tanta história para contar. E não são só as suas histórias, mas a de cada um que está por lá. Por Londres ser uma cidade global, as nacionalidades e diferentes culturas se misturam a cada esquina. Acredita que Londres é um filme, sempre em movimento, inesgotável. Por isso sempre tem alguma coisa pra fazer: seja algo histórico ou alguma novidade.

Julia Ramil

LT: Conte-nos um pouco da experiência como turista em Londres, e quantas vezes já foi a cidade e a Inglaterra antes de se estabelecer na cidade?

Julia: A primeira vez que vim a Londres foi em 2006 quando tinha 18 anos. Morei em Barcelona e Paris – estudando línguas e vim passar uns dias aqui com a minha mãe. Ela já tinha morado em Londres por uns meses. A minha maior referência na cidade eram os Beatles – não sabia mais o que esperar. Confesso que não foi uma cidade que me apaixonei de primeira. Acho que por ter coisas “demais” pra ver, fazer, entender… me encantei por outras cidades primeiro. Voltei dez ano depois para visitar meu namorado (hoje marido) quando ele se mudou pra cá. Explorei muito a cidade, bati perna, conheci coisas diferentes e me apaixonei por essa explosão de possibilidades. E a terceira vinda antes de me mudar oficialmente já foi sabendo que eu iria morar aqui – então vim com um olhar mais local.

LT: No seu Instagram, podemos acompanhar muitas viagens que você pela Europa e pelo mundo. Como surgiu em você essa paixão pelas viagens e como morar na Inglaterra facilita a você viajar?

Julia: Essa viagem de 2006 foi o que abriu as portas do mundo pra mim. Eu tinha feito algumas viagens quando mais nova, mas passei a adolescência no Brasil. Quando vim pra Europa vi tudo que eu tinha estudado a vida toda ao vivo na minha frente. E vi o quanto eu não conhecia do mundo, das pessoas, das culturas. E aquilo despertou em mim uma vontade louca de conhecer o mundo inteiro. Já estive em 36 países diferentes, estou com duas viagens marcadas para os próximos meses e quando não estou trabalhando – estou sonhando com as viagens (ou planejando elas). Morar na Europa facilita muita coisa, é claro. Para viajar saindo do Brasil você precisa pelo menos de 1 dia para ir e voltar. Aqui eu consigo passar um fim de semana em outro país num piscar de olhos. Além de ser muito mais perto, os valores são muito mais acessíveis.

Quando estive no Brasil da última vez fui ao Rio Grande do Sul ver minha avó. Paguei uma fortuna. Na mesma semana comprei uma passagem Londres-Barcelona por 1/4 do valor. 

 

Londo Eye

LT: O início do ano de 2020 será lembrado pela saída do Reino Unido da União Europeia (o Brexit). Como isso pode impactar no turismo do país e no seu trabalho como guia?

Julia: Eu acho que o turismo não vai ser muito impactado por enquanto, Londres é uma das cidades mais turísticas do mundo e não acho que ninguém vai deixar de vir por conta disso. Principalmente brasileiros (que são meus clientes) que não serão afetados diretamente. Mas muitos outros setores vão ser afetados e isso me afeta diretamente, é claro. Mas acho que o turismo não vai sentir muito, pelo menos por enquanto.

LT: Londres é conhecida por uma extensa rede de metrô. Mesmo sendo caro, o metrô é a melhor opção? Como são as tarifas, é por trecho, ou fixa? E alternativas de pagamento, bilhetes unitários, cartões com desconto? 

Julia: Ixiiii…. O documento que mando pros clientes para explicar o cartão de metrô tem 3 páginas. Difícil resumir. Mas apesar de ser caro (mesmo pra quem não converte) ele é muito eficiente. Você se locomove pela cidade inteira e isso é muito libertador. Recomendo comprar o OYSTER CARD que é o cartão que você usa para metrôs e ônibus, você pode comprar o semanal ou mensal ou apenas colocar um valor e ir usando (pay as you go). A tarifa unitária parece cara, mas a grande sacada é que eles tem um limite diário de gasto. Quando você gasta 7 libras ele não te descontam mais (do pay as you go), então pode andar o dia todo que o máximo vai ser isso. Pra quem tá a turismo pode ser uma boa. Não recomendo bilhetes unitários – em nenhuma circunstância que eu conheça ele vale a pena. Hehehe!

 

Metrô londrino é a melhor opção de transporte na cidade.

LT: Londres tem aqueles simbólicos ônibus vermelhos de dois andares, usar o ônibus também é bom. Como você compara os dois transportes, metrô e ônibus, e também os táxis pretos? 

Julia: Eu uso muito ônibus, ele faz parte do sistema como falei acima. Eu gosto de andar neles porque vou vendo a cidade e sem ter que pensar muito. Mas as vezes ele demora mais né? E aí escolho o metrô. Os táxis são muito caros, eu raramente utilizo. No máximo pego um uber se preciso.

Os icônicos ônibus vermelhos, permitem ver Londres enquanto os turistas se deslocam

LT: Uma pesquisa do Google, revelou a lista dos 10 destinos mais populares de 2020, de acordo com buscas globais por hotéis. Londres aparece em primeiro lugar dos mais buscados pelos os brasileiros. Na sua visão, porque Londres desperta tanto interesse pelos brasileiros?

Julia: Eu acho que Londres tem diversos fatores de atração, tem Londres para todos os gostos. Tem muuuuuita história, tem a família real, tem Harry Potter, tem Rock e Beatles, tem bons restaurantes, pubs, baladas. Tem de tudo um pouco. Mas acho que a família real atrai muita gente mesmo – é algo muito longe da nossa realidade no Brasil. E a gente cresceu no mundo dos filmes da Disney de princesas, das novelas (e agora séries) né? Imagina ver ao vivo Meghan e Harry saindo da Família Real? É a melhor novela que existe gente! O melhor episódio da sua série favorita, só que na vida real.

LT: Muitos livros e séries que se passam na Inglaterra, são bem populares aqui no Brasil. Muitos turistas procuram conhecer cenários e locações onde passam essas histórias? 

Julia: Eu sou formada em cinema e uso muitas referências de filmes e séries nos meus tours. Eu acho apaixonante que a gente tenha referências da cidade através do que assistimos a vida toda. O The Crown hoje é uma das séries mais comentadas nos tours – por conta da família real. Mas, eu gosto de referências mais sutis mesmo… por exemplo: Mary Poppins, Peter Pan e 101 Dálmatas são todos em Londres! Mas sem dúvidas que Harry Potter é a maior referência atual. Existem tours só disso hoje em dia. Se o cliente é fã eu sempre mostro onde foi gravado por onde andamos. Acho que esse é o charme, se sentir dentro dos filmes enquanto faz turismo na cidade.

Em Londres é possível visitar locações e cenários de filmes e series.

LT: A Família Real inglesa sempre está nas notícias de jornais, seja para algum assunto bom ou ruim. Como os londrinos e ingleses são envolvidos com a realeza? Existe um sentimento de amor e ódio mesmo? 

Julia: Pois é, um assunto delicado. A Família Real vai chamar atenção, é claro. Uma das poucas monarquias que restam por aí. Acho que de maneira geral os ingleses apoiam e curtem acompanhar… mas, nos tempos de hoje impossível não ter um questionamento – seja questionando a monarquia ou questionando a quebra de tradições. Sinto que a Inglaterra é muito tradicionalista. Mas, apesar de qualquer coisa eu acho que eles movimentam o turismo que é uma potência aqui né? As pessoas vem muito porque querem saber deles, ver onde moram, do que vivem, o que comem…

LT: A Inglaterra e Londres é conhecida mundialmente por ser origem de inúmeras bandas e artistas. Como é o turismo musical em Londres? 

Julia: Ahhh, esse foi meu primeiro turismo em Londres. Eu sou louca por Beatles. Cresci numa família de músicos e sempre tive muitas referências musicais daqui. Eu sinceramente acho que hoje em dia não está tão forte quanto a busca pelo Harry Potter e Família real, mas sempre será uma referência. Eu recomendo muito fazer um tour com esse foco ou pelo menos estudar um pouco sobre isso. Londres lançou muitos artistas, muitas tendências e comportamentos. Eu fiz um roteiro esses dias para uma cliente com esse pano de fundo e é apaixonante: aqui foi o primeiro show do Jimi Hendrix, aqui foi onde Paul e Linda se conheceram, aqui foi o primeiro show dos Stones, aqui foi onde o Bowie tirou foto da capa do CD e o CD do Queen foi feito neste estúdio. Não é surreal contar tudo isso? Eu fiz até uma playlist no spotify com as músicas desse tour para ficar ouvindo e agradecer que eu moro nesse lugar! (rs)

Mas mais surreal que isso só encontrar o Paul McCartney andando na rua como se fosse um ser humano normal. 

Sim, aconteceu comigo. Eu quase morri, mas to aqui viva pra contar! 

Julia encontra Sir Paul McCartney

LT: Uma curiosidade que temos quando vemos as ruas de Londres na TV ou na Internet. Aquelas cabines telefônicas vermelhas, ainda funcionam? Tem um telefone público dentro delas, é só monumento ou obstáculo urbano?

Julia: As cabines telefônicas são hoje em dia mais ponto turístico do que qualquer coisa né? É um ícone da cidade, um marco, uma referência. Não dá pra tirar todas, mesmo que ninguém mais use. Algumas cabines ainda tem telefones, outras não tem nada dentro, algumas foram modernizadas com telas digitais com mapas etc (acho que ainda está em teste – mas moro no bairro que eles testam tudo!). E algumas foram transformadas, existe uma que é um café, ou TRA que é uma mini livraria. É fofo! Mantém a tradição mas dá um novo sentido/uso pra coisa. Bem Londres mesmo – onde o Tradicional e o Antigo se misturam com o Novo e Moderno na mais perfeita sintonia. É lindo de ver esse contraste de forma tão orgânica.  

Ainda é possível ver cabines telefônicas nas ruas de Londres

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