One Way

One Way Capítulo 4: Às Margens

Por: Henrique Benitez Lopes | 15/11/2019

2019 é um ano de novidades para o liketour. Além, do já conhecido liketour cast, teremos novos conteúdos, com mais dicas e histórias de viagens para você.  Uma delas é a série de textos diversos com histórias e dicas de viagens, batizada de One Way*.

No capítulo 4 do liketour One Way, Henrique fala sobre os rios como atrações turísticas, quais ele já visitou, quais são os mais visitados e navegados e quais pretende visitar. 

One Way*: No jargão do turismo é o identificador de tarifa e viagem só de ida.

Pôr-do-Sol ás margens do Rio Reno em Düsseldorf.

Por milhões e milhões de anos, nós seres humanos fomos nômades, caçadores e coletores e a pouquíssimos milhares de anos somos sedentários e produtores. A transição do nomadismo para o sedentarismo ocorreu através da Revolução Agrícola e para produzir e cultivar era necessário algo importante: a água. Sim, foram os rios, as águas como fonte da vida que permitiu que nos tornássemos o que somos hoje. 

A humanidade se organizou em termos de sociedade organizada e comercial em torno dos rios, e as muitas cidades e capitais do mundo surgiram às margens de grandes rios que conhecemos até hoje de forma muito familiar.  

Particularmente lamento muito morar em uma cidade que tem como característica um rio extremamente poluído cercado por uma quase rodovia cheia de postos de gasolina e depósitos de materiais de construção. Mas, me conforta em saber que ao longo dos 1136 quilômetros o Rio Tietê é extremamente poluído somente em cerca de 200, sendo utilizado para navegação, produção de energia e até área de lazer em muitas cidades do interior de São Paulo. 

Sonho em ver um Tietê límpido também na cidade de São Paulo, mas enquanto isso não se realiza, tive o privilégio de ver rios em algumas cidades que visitei e compartilho aqui algumas das experiências. 

Acredite se quiser, esse Rio navegável é o Tietê.

Meninos eu vi…

Lembro em 2011 quando fui a Foz do Iguaçu e visitei juntos com os colegas de trabalho as Cataratas do Iguaçu. A quantidade de água que cai, a força que ela tem e o barulho que ela gera é algo difícil de se esquecer mesmo depois de tantos anos.  Tanta água e tanta natureza em volta precisa ser conhecida, vista e compartilhada em conversas de bares e podcast. Não à toa as Cataratas do Iguaçu recebe 2,5 milhões de turistas por ano, tanto do lado brasileiro quanto do lado argentino. 

Em Israel, em muitas cidades que visitei o Rio Jordão as cortavam e com ele trazia abastecimento e recursos para um país seco que precisa dessalinizar água para que essa não as falte. Subir nas Colinas de Golan onde ele nasce, navegar pelo Mar da Galiléia onde se alarga em um grande lago, vê-lo diminuir e quase desaparecer ao boiar no Mar Morto e finalmente assistir seu ciclo final quando ele deságua no Mar Vermelho, é acompanhar todo o ciclo do Jordão que testemunho grandes marcos da história.  

Na Europa também pude ver rios que além de fonte de abastecimento, importantes economicamente são também pontos turísticos de muitas cidades.  Na Bélgica, o Rio Escalda corta o norte do país e é braço para o porto de Antuérpia, segundo maior do continente até desaguar no Mar do Norte. A grande catedral da cidade vigia parte do rio há quase 500 anos e entre eles a Grote Markt, principal praça da Antuérpia, é local de reunião e lazer, como as feiras de natal que acontecem todos anos.  

Rio Jordão.

Também no velho continente o Rio Reno, atravessa a Alemanha, até desaguar, assim como o Escalda, no Mar do Norte. Importante na Revolução industrial, pude passar um dia as suas margens na cidade de Düsseldorf. Utilizado como hidrovia a sua volta bares, restaurantes e o Museu da Marinha fazem os turistas passarem as tardes às suas margens e nos dá uma noção como um rio urbano limpo, mas não exatamente belo, pode ser útil para as pessoas que estão perto dele. 

O mesmo Reno divide a Alemanha e França e quando entramos em terras francas, os rios são fundamentais para a economia turística. O Vale do Loire é uma atração imperdível para os amantes das belezas históricas e seus castelos que estão ao seu redor. E como não lembrar da frase que ouvia na rádio quando era criança, quando o corresponde Reali Júnior dizia que falava direto das margens do Sena com a Maison de la rádio e passava as notícias internacionais. Anos depois eu estava lá, às margens do Sena, vendo esse rio passar pela capital francesa e ser ponto de referência para muitas atrações turísticas de Paris.  Os bateau mouche promovem os passeios por ele e ver a cidade de sua perspectiva é um ponto de vista inigualável. 

…e ainda verei.

Mas, a realidade incontestável é que em um planeta composto por 70% de água, o que vi foi muito pouco. Muitos outros rios de importância turística merecem nossa menção e claro, trabalhamos diariamente para que um dia esses olhos os vejam.

É possível fazer cruzeiros pelos maiores rios do mundo. No Mississipi que atravessa os EUA de norte a sul, réplicas de barcos a vapor do século XIX promovem passeios por ele.  Do transporte de escravos a criação do blues, a história do Mississipi se confunde com a própria história americana.  No Nilo, rio que viu um dos maiores e mais ostentadores impérios da humanidade, o antigo Egito, temos claro, cruzeiros de luxo. Por quatro dias pode-se navegar entre Aswan e Luxor. 

Navio de turistas navega pelo Rio Mississipi.

No nosso querido Rio Amazonas, cruzeiros de três a sete dias permitem os turistas terem contato com animais e ver o encontro das águas do Rio Negro com o Solimões. 

Merece ser citado os outros rios europeus que são exemplos de recuperação das suas águas e transformação das cidades que passam. O Tâmisa tão importante no período da Revolução Industrial e a época conhecido como “o grande fedor” que fez até sessões do parlamento britânico serem suspensas por não ser suportável estar perto dele. Depois de mais de 100 anos de investimento hoje conta com mais de 120 espécies de peixes e velejadores, remadores e pescadores já podem utilizar o rio, que hoje em dia cheira normal, sem odor nenhum. Além, de grandes atrações da cidade como Tower Bridge, a London Bridge, a Ponte de Westminster e a London Eye ornam esse marco londrino. 

Parlamento Britânico ás margens do Rio Tâmisa.

No Leste Europeu, região que atualmente o turismo mais cresce, encontramos os dois maiores rios do continente. O Rio Volga na Rússia se banhou de sangue nas tantas batalhas bélicas que assistiu em revoluções e guerras mundiais, mas também inspirou a literatura e a música do país. Embeleza as principais cidades russas e não foi um mero acaso que na Copa de 2018 muitos estádios estavam a sua margem. O segundo maior rio europeu, mas não menos importante, é o Danúbio.  Atravessando dez países que na maioria não são banhados pelo mar, tem função vital de abastecimento e é uma das principais atrações turísticas em países como Hungria, Eslovênia e Áustria. 

Sei que faltaram muitos até porque é impossível falar de todos os rios do mundo.  Pensar neles não só como fonte de vida e abastecimento, mas também como potencial turístico faz com que os rios ganhem mais valor e importância. 

E você? Qual seu rio preferido? Por onde já navegou? 

Conte para nós.